A letra de um candidato pode definir sua escolha para o emprego? Imprimir E-mail
DrawingHands by Maurits Cornelis Escher Estudos dizem que sim, mas o critério é discriminatório.
         Vivemos, ao menos em tese, numa sociedade plural, onde os direitos e garantias individuais são tutelados e as liberdades respeitadas. Certo? Não, infelizmente, mas, por amor ao argumento, consideremos, neste espaço, as hipóteses colocadas.
        Tudo porque pretendemos compartilhar com os web leitores, notícia que nos inquietou. Preparados? Lá vai, então: recente pesquisa concluída por consultoria internacional de reconhecida credibilidade, revelou que a análise da grafia já é adotada como critério de seleção de pessoal por uma entre três companhias instaladas no país.
        Em outras palavras, a letra do candidato a uma vaga no mercado de trabalho tem definido a sua sorte profissional. Conforme o estudo, a adesão a essa modalidade de teste cresceu mais de 50% comparativamente ao ano passado, e superou outros meios de seleção, como a entrevista pessoal, a prova prática ou a dinâmica de grupo. Mais: a grafologia tem sido aplicada em todos os níveis de hierarquia, com mais ênfase nos chamados cargos médios.
        De maneira geral, a aptidão do candidato com base nessa modalidade de avaliação, é comprovada a partir da produção de um texto redigido numa folha sem pauta. Conforme noticiado, um texto com no máximo 20 linhas, que aborda tema relacionado ao ambiente corporativo, ou à trajetória pessoal. O rascunho é proibido.
        Justificam os que praticam a medida, que o laudo grafológico consiste numa ferramenta complementar, que deve ser avaliado junto com outros métodos adotados pela companhia. Por menos que se pretenda negar o peso da prova no processo de seleção, é fato que ela contém aspectos que, para quem faz a leitura, podem determinar, ou não, a admissão.
        Ninguém questiona o alcance da grafologia, ou lhe nega importância enquanto estudo, mas até que ponto esse mecanismo determina a competência de alguém para trabalhar?
        Entre outras, dizem os estudiosos do assunto, a letra serve para detectar o nível de depressão, além de traços comuns à personalidade. O problema é que essa modalidade tem enorme componente discriminatório, além de ser extremamente subjetiva. A análise da escrita serve, sim, como meio de prova para elucidação de fraudes e encontra aplicação em outros campos.
        Num momento em que se discute a qualificação profissional, é curioso, para dizer o mínimo, que as empresas priorizem a grafia em detrimento de outros atributos que poderiam balizar melhor a capacitação dos candidatos. Alfred Newman, um autor norte-americano disse, uma vez que, se é mesmo possível prever o futuro de alguém a partir da leitura das mãos, os manetas, então, teriam futuro ignorado.
        O mesmo, entendemos, aplica-se à análise da letra com o propósito de preencher vagas dentro da empresa. Trata-se de critério excludente, discriminatório, sem previsão legal, que não tem como aferir se quem procura emprego está, ou não, apto para exercer a função. 
        Conclui-se, então, que cabe aos trabalhadores denunciar, sem constrangimento, práticas que comprometam os seus direitos. Pior do que se submeter a uma avaliação subjetiva, é se omitir diante da arbitrariedade. Até a próxima edição.


Até a próxima edição,

Ronaldo Borges

 

 

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