Incêndio em Santa Maria: país não está preparado para prevenir tragédias Imprimir E-mail

Catástrofe que vitimou mais de 200 pessoas obriga reavaliação da política pública de prevenção de acidentes

   Mesmo correndo o risco de não primar pela sutileza começo esta minha conversa com os leitores do Jornal Z Norte recorrendo a uma frase ainda hoje bastante usada no interior: “depois que a vaca foge, não adianta fechar a porteira”.

Sim, refiro-me à tragédia ocorrida na madrugada de domingo 27, no município de Santa Maria, Rio Grande do Sul, quando 234 pessoas morreram por conta do incêndio havido numa boate local.  Praticamente tudo o que podia ser dito a respeito do evento o foi, mas, neste caso, falar e propor a reflexão nunca serão demais.

   A catástrofe que nos abalou a todos escancarou uma realidade da qual muitos tinham conhecimento, ou deveriam ter pelo menos, até por ser quase óbvia: o Brasil não sabe gerenciar e trabalhar ações preventivas no campo da segurança e, quase sempre, só combate os efeitos dos problemas, relegando as causas a plano secundário. Não é preciso ser especialista para se chegar a certas conclusões.

    Aqui mesmo em Sorocaba, tivemos, recentemente, exemplo bastante emblemático quando a parede da fábrica Santo Antonio desabou.

   Técnicos e profissionais ouvidos pela imprensa foram unânimes em reconhecer que a estrutura ruiu porque dela foi retirado o telhado cujo peso a sustentava. Ora, uma parede com dez metros de altura solta, localizada em área de tráfego intenso, sujeita a trepidação tanto interna (por conta do uso de britadeiras) quanto externamente (em razão da passagem de veículos), um período em que o tempo apresentava-se instável, com vendavais, praticamente pediria para cair.

   Da mesma forma, uma casa noturna projetada para acomodar perto de 700 pessoas, que organiza uma festa que reúne quase que o dobro dessa capacidade de lotação, que permite que uma banda se apresente fazendo uso de artifício pirotécnico, que não possui equipamentos de segurança (extintores, no caso) em condições de uso e que conta com uma única porta de acesso e funcionários despreparados, não pode ser apontada como referência em se tratando de prevenção.

   Para teóricos que analisaram o ocorrido, teria havido “a pior somatória de fatores” capaz de determinar uma tragédia de tamanha proporção. Sim, isso de fato aconteceu. Mas essa  “soma” pode, também, ser resultado do descaso. Ninguém, claro, espera que algo tão grave aconteça; quem detém margem de conhecimento técnico, no entanto, seria, sim, capaz de avaliar os riscos ali existentes.

   Sobra que o episódio Santa Maria entra para a história como o segundo maior incêndio já registrado no país. Que seja, principalmente, o que mude o curso da visão das autoridades e de todos. Punir os responsáveis apontados é, evidentemente, uma necessidade até de ordem institucional; reavaliar a política pública de segurança praticada pela Defesa Civil e pelos setores de fiscalização no país (em todo o país, cabe destacar), aí incluída a vistoria em casas de show, templos religiosos, estádios (daqui a pouco teremos a Copa do Mundo) e espaços de grande concentração de público é uma obrigação urgente. Para ontem.

     Até a próxima edição.
 

 Ronaldo Borges
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